Se já antes não havia certeza da sanidade mental do pai, agora era certo que esta já não mais existia. Certo dia, um mal estar lhe veio visitar durante o trabalho. Como foi parar no hospital devido a isso, soubemos que o mal estar era um fato, de fato. O pai, que evitava a brancura dos estabelecimentos voltados à saúde o quanto podia, ligou para a mãe informando o ocorrido. Não se sentia bem, uma dor no peito, não foi nada, nada demais. Pediu calma e uma muda de roupas. Era provável que ali passasse a noite, procedimento de rotina.
A mãe saiu do trabalho, correu para casa e trocou o almoço por uma visita ao hospital, munida de muda de roupas, chinelo e um pijama. Para o pai, claro. Quando próxima ao estabelecimento, o toque do celular lhe surge novamente: o pai, perguntando onde estava, que teve alta e iria para casa com ela, que não teve tempo de estacionar o carro. O pai, que lhe esperava do lado de fora do hospital, entrou apressado no veículo e vieram para casa.
Não foi nada. Nada demais. Respondia às perguntas sobre o que ocorrera. Queria apenas deitar um pouco para descansar.
Durante o repouso, o telefone de casa toca, a perguntar pelo senhor Flávio Dutra. Ao saber do que se tratava foi quase espanto o que experimentamos: a enfermeira do hospital preocupara-se pois, na hora do remédio, constatou que o paciente havia desaparecido.
A ela, pedimos desculpas. A ele, uma explicação.